Companhia aérea low cost opta por reestruturação judicial na Argentina em meio a colapso operacional e frota reduzida.
A companhia aérea de baixo custo Flybondi entrou com um pedido de proteção contra credores na Argentina após passar quase dois meses sem operar voos comerciais, optando por uma reestruturação local.
A FB Líneas Aéreas S.A., razão social da empresa, protocolou o pedido de concurso preventivo em 2 de outubro, distribuído para a 24ª Vara Comercial Nacional de Buenos Aires e sob a responsabilidade do juiz Guillermo Mario Pesaresi, conforme informação divulgada por Airway.
A decisão de buscar a Justiça local marca uma alternativa ao tradicional Chapter 11 dos Estados Unidos, ferramenta jurídica adotada recentemente por outras companhias aéreas da América Latina para lidar com dívidas e contratos.
Crise operacional e colapso na frota
A situação operacional da Flybondi se deteriorou rapidamente nos últimos meses, deixando a empresa há 57 dias sem voar e com apenas três das 13 aeronaves da frota inicial ainda em solo argentino.
As outras dez aeronaves foram devolvidas ou estão em processo de devolução aos arrendadores, enquanto desde 1 de julho a companhia operou somente 17,7% dos voos programados em sua malha.
O impacto nos números de passageiros reflete a gravidade do cenário, já que em agosto a empresa transportou apenas 1.865 viajantes em rotas domésticas, uma queda drástica frente aos 254.533 registrados no mesmo período de 2025.
Diferenças entre justiça local e o Chapter 11
Enquanto gigantes regionais como LATAM, Avianca, Aeromexico e a brasileira Azul recorreram ao Chapter 11 nos Estados Unidos para renegociar contratos de leasing, a Flybondi escolheu o caminho do concurso preventivo argentino.
A legislação de insolvência da Argentina permite que a empresa busque negociar suas dívidas sob supervisão judicial com o objetivo de manter as operações, embora o processo tenha ocorrido com a frota já amplamente desmantelada.
Além dos arrendadores de aeronaves, os problemas financeiros envolvem bloqueios superiores a 1,5 bilhão de pesos argentinos impostos pela Receita Federal ARCA e pela agência reguladora ANAC.
Conflitos societários e bloqueios fiscais
A estrutura corporativa da Flybondi apresenta complicações adicionais, visto que o Cartesian Capital Group permanece como acionista controlador formal, apesar de a gestão ter passado para a COC Global Enterprise, liderada por Leonardo Scatturice, em 2025.
Um credor do setor hoteleiro também chegou a solicitar a falência da companhia devido a uma dívida estimada em 660,7 milhões de pesos argentinos, mas o pedido acabou rejeitado pela justiça por questões documentais.
Com dez aeronaves já devolvidas aos parceiros, a retomada das atividades exigirá acordos complexos com credores, injeção de novos recursos financeiros e a obtenção de aviões para reconstruir a malha aérea.
Perguntas Frequentes
Por que a Flybondi pediu proteção contra credores?
A Flybondi entrou com pedido de concurso preventivo na Argentina após enfrentar um colapso operacional, ficar 57 dias sem voar e acumular dívidas com órgãos fiscais e arrendadores.
A empresa foi declarada falida pela justiça argentina?
Não, a Flybondi não foi declarada falida. O pedido de concurso preventivo serve justamente para que a empresa possa negociar suas dívidas com os credores sob supervisão judicial.
O que aconteceu com a frota de aeronaves da Flybondi?
A frota foi reduzida drasticamente, com dez das 13 aeronaves sendo devolvidas ou encaminhadas de volta aos arrendadores, restando apenas três unidades em solo na Argentina.

