Gigante Wellington Management, com US$ 1,2 trilhão em ativos, vê resiliência europeia e realoca investimentos, buscando ganhos com IA além dos semicondutores.
Em um panorama econômico global marcado por instabilidades macroeconômicas e o impacto disruptivo da inteligência artificial, a Wellington Management, gestora americana com impressionantes US$ 1,2 trilhão em ativos sob gestão, está redefinindo suas estratégias. A diretora Laura Howenstine, responsável pelo fundo Global Quality Growth, que movimenta US$ 7 bilhões, aponta para a diversificação e o foco nos fundamentos das empresas como pilares essenciais para navegar nos mercados atuais.
O fundo de Howenstine, que investe globalmente em companhias de crescimento com valuations atrativos e dividendos elevados, mostra uma clara preferência. Atualmente, ele está subexposto aos Estados Unidos e sobreexposto à Europa em relação ao seu benchmark, o MSCI All Country World Index. Essa mudança reflete uma percepção de maior valor no continente europeu.
A executiva enfatiza que o desempenho das bolsas de diferentes países está menos interligado do que no passado, um fenômeno que ela atribui à “desglobalização”. Essa tendência exige dos investidores uma abordagem mais atenta e adaptável, conforme informação divulgada por Brazil Journal.
Por Que a Europa Desponta no Radar de Investimentos?
Laura Howenstine destaca a resiliência da economia europeia como um fator crucial para a realocação de capital da Wellington Management. Enquanto muitos esperavam que a Europa sofresse com o conflito entre EUA e Irã, dados recentes indicam uma recuperação robusta, especialmente na produção industrial.
A diretora explica que a visão de investimento da gestora não é apenas macro, mas busca empresas com capacidade de gerar bons retornos aos acionistas em um cenário macro positivo. Na média, as companhias europeias apresentam valuations mais atraentes do que as americanas. As principais posições do fundo na Europa estão nos setores financeiro, industrial e de saúde.
Além da Europa, o Japão também surge como um mercado promissor. Após anos de desafios demográficos e baixo crescimento, a economia japonesa demonstra sinais de recuperação, impulsionando investimentos no setor financeiro do país.
Navegando o Superciclo da Inteligência Artificial
A inteligência artificial é vista pela Wellington Management como um superciclo tecnológico que tem gerado intensa volatilidade nos preços das ações. A dificuldade reside em classificar rapidamente as empresas como vencedoras, beneficiadas pela tecnologia ou perdedoras, o que muda a cada momento.
Embora a demanda por IA seja real e supere a oferta, a gestora tem sido cautelosa quanto aos valuations, inclusive com uma redução marginal nos investimentos em gigantes de semicondutores como Nvidia e TSMC. O objetivo é ser neutro na exposição à IA em relação ao benchmark.
Howenstine argumenta que os verdadeiros vencedores da IA podem surgir em setores além do hardware e dos semicondutores. A busca se concentra em empresas que utilizam a inteligência artificial para se tornar mais eficientes em seus produtos e serviços, oferecendo valuations adequados.
Desafios e A Importância da Diversificação Global
O momento atual é considerado desafiador devido à influência de dois fatores distintos que provocam grande volatilidade: os conflitos geopolíticos, como o entre EUA e Irã, e a inteligência artificial. A “desglobalização” observada, com menos correlações de desempenho entre os mercados de ações, reforça a necessidade de um portfólio bem diversificado.
A estratégia da Wellington Management prioriza a diversificação entre setores, geografias e perfis de empresas. Em um ambiente instável, a gestora busca companhias com fundamentos sólidos, cujas projeções possam ser feitas com confiança, como aquelas com parte significativa da demanda fora de seu país de origem.
A boa notícia é que o crescimento geral dos lucros tem sido positivo, estendendo-se além do setor de tecnologia e dos EUA, com bons resultados no Japão, na Europa e em mercados emergentes, indicando oportunidades globais para investidores atentos.
Perguntas Frequentes
Qual a visão da Wellington Management para investimentos na Europa?
A Wellington Management vê a Europa como um mercado resiliente e com valuations mais atraentes que os EUA, priorizando setores como financeiro, industrial e saúde. Há sinais importantes de recuperação econômica e produção industrial mais forte, mesmo diante de conflitos geopolíticos.
Como a Wellington Management aborda a inteligência artificial em seus investimentos?
A empresa considera a IA um superciclo, mas busca oportunidades além de semicondutores e hardware, focando em companhias que usam a tecnologia para aumentar a eficiência, sempre de olho nos valuations. Há uma redução marginal em investimentos como Nvidia e TSMC, buscando ser neutra na exposição.
O que significa "desglobalização" no contexto de investimentos para Laura Howenstine?
Segundo Laura Howenstine, a "desglobalização" está reduzindo a correlação de desempenho entre os mercados de ações, tornando essencial a diversificação do portfólio entre setores, geografias e perfis de empresas para mitigar riscos e encontrar valor em diferentes regiões.
A Wellington Management investe no Brasil?
Sim, o fundo Global Quality Growth da Wellington Management possui investimentos no Brasil, notavelmente na Sabesp. No entanto, Laura Howenstine não detalhou o valor investido nem a tese específica por trás dessa posição no mercado brasileiro.

