Montadora avalia impacto da escala 6x1 e concorrência externa no setor automotivo.
A fabricante de veículos Stellantis já analisa os impactos econômicos e industriais que o cenário político brasileiro pós-eleição trará para o setor automotivo sul-americano a partir de 2027.
O presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, destacou em São Paulo que a empresa monitora de perto pautas cruciais em discussão no Congresso e no governo federal brasileiro.
Entre os principais desafios estão a possível mudança nas leis trabalhistas e a forte concorrência das marcas chinesas, conforme informação divulgada por neofeed.
Impacto da PEC da escala 6x1 nos custos de produção
O Senado brasileiro debate a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa encerrar a escala de seis dias de trabalho para um de descanso, reduzindo a jornada semanal para 40 horas sem corte salarial.
Herlander Zola afirmou que a eventual aprovação da medida elevará consideravelmente os custos operacionais da Stellantis na indústria automotiva brasileira.
A companhia informou que já possui planos estratégicos estruturados para mitigar os riscos financeiros caso a nova regra trabalhista seja implementada no país.
Desafios da Stellantis na fábrica da Argentina
O peso dos gastos com pessoal fica evidente na Argentina, onde o custo da mão de obra é o dobro do registrado no Brasil, prejudicando a competitividade industrial local.
Com a abertura de mercado argentino para carros importados do Brasil e da China, a fatia da Peugeot encolheu para cerca de 5% neste ano, exigindo ajustes na planta de El Palomar.
Como o Brasil representa aproximadamente 65% do mercado regional, a Stellantis aguarda maior previsibilidade regulatória brasileira para definir o futuro de suas operações sul-americanas.
Ameaça do modelo CKD e SKD das montadoras chinesas
A Stellantis alerta que a taxa de importação de 35% para veículos montados no exterior sob o formato CKD e SKD é insuficiente para proteger a cadeia produtiva nacional.
Herlander Zola defende que o próximo presidente crie incentivos robustos para quem produz peças no Brasil, como aço e pneus, evitando demissões em massa e o fechamento de fábricas.
Caso a equação econômica continue favorecendo a importação de kits desmontados, a Stellantis admite que poderá adotar o mesmo modelo, o que reduziria drasticamente a necessidade de funcionários.
Perguntas Frequentes
Como a escala 6x1 afeta a Stellantis?
A eventual aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1 aumentará de forma expressiva os custos de produção da Stellantis no Brasil, elevando riscos financeiros.
Qual é a posição da Stellantis sobre o avanço das chinesas?
A montadora considera a alíquota atual de importação insuficiente e pede incentivos para quem produz com componentes nacionais, embora estude parcerias com marcas chinesas.
O que são os modelos CKD e SKD criticados pela empresa?
São regimes onde carros são fabricados no exterior e chegam desmontados ou parcialmente desmontados ao Brasil, modelo que pode ameaçar empregos da cadeia local.

