Entenda por que a alavancagem alta e a queda dos juros impulsionaram o grupo na B3.
As ações de empresas brasileiras do grupo Simpar registraram valorizações expressivas na Bolsa de Valores brasileira após o resultado do primeiro turno das eleições. O cenário político recente impulsionou um forte rali de alta nos papéis de companhias ligadas ao setor de infraestrutura e transportes no mercado financeiro nacional.
A Movida liderou os ganhos com alta de 54,19% no período, seguida pela holding Simpar com 45,46%, a Vamos com 37,13% e a JSL com 37,07%. Os dados oficiais foram detalhados por levantamento da consultoria especializada Elos Ayta, conforme informação divulgada por neofeed.
A guinada nos preços das ações reflete uma mudança drástica nas expectativas macroeconômicas do mercado, impulsionando ativos que antes sofriam com a pressão de custos operacionais elevados e restrições de crédito no país, conforme informação divulgada por neofeed.
Impacto da curva de juros no grupo Simpar
Alberto Valério, head de industrials do UBS BB, avalia que a forte valorização está diretamente relacionada à elevada alavancagem do grupo Simpar e ao fechamento da curva de juros futuros diante do resultado eleitoral. Quando esses juros caem e o mercado já começa a precificar isso, o ganho vem todo com o equity.
Em relatório recente, os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG Pactual, apontam Simpar e Movida entre as empresas mais sensíveis à redução do custo de capital, favorecendo a valorização antes mesmo de resultados melhores.
Redução da alavancagem financeira
O grupo Simpar vem reduzindo a alavancagem financeira nos últimos períodos trimestrais. No segundo trimestre de 2026, a relação entre dívida líquida e Ebitda recuou de 3 vezes para 2,8 vezes, marcando o patamar mais baixo desde a abertura de capital realizada em 2010.
O indicador foi beneficiado pela queda de 4,4% na dívida líquida consolidada, excluindo o BBC Digital, para R$ 38,9 bilhões. Apesar da melhora, as despesas com juros somaram R$ 2,26 bilhões, com custo médio da dívida bruta consolidada em 16,4% ao ano.
Expectativa de alívio com queda da Selic
Gabriel Magno, sócio e chefe de alocação de investimentos da AW Capital, afirma que a redução dos juros traz impacto direto sobre os resultados operacionais. Com taxas menores, as empresas vão pagar menos despesas financeiras e vai sobrar um resultado melhor.
Movida e Vamos se destacam pelo potencial de redução das despesas financeiras devido à alta exposição a dívidas com taxas flutuantes. A queda da Selic também pode impulsionar diretamente a venda e o aluguel de carros e caminhões no mercado brasileiro.
Movimento de short squeeze na Bolsa
A disparada dos papéis também pode ter recebido forte influência do fechamento de posições vendidas, conhecido como short squeeze. O fenômeno acontece quando investidores que apostavam na queda precisam recomprar ações rapidamente para estancar prejuízos.
Em 7 de outubro, as posições vendidas representavam 38% do free float da Movida, 14,4% na Simpar e 10% na Vamos. Gustavo Bertotti, head de renda variável da Fami Capital, ressalta que o mercado ainda aguarda propostas fiscais mais contundentes dos candidatos.
Perguntas Frequentes
Por que as ações de Movida, Vamos, JSL e Simpar subiram tanto?
As ações subiram devido à queda na curva de juros futuros após o primeiro turno das eleições, o que beneficia empresas com alta alavancagem financeira e grande exposição a dívidas flutuantes.
Qual foi a empresa do grupo Simpar que mais valorizou na Bolsa?
A Movida liderou os ganhos entre as empresas do grupo, registrando uma alta expressiva de 54,19% no período analisado pela consultoria Elos Ayta.
O que é o short squeeze e ele afetou as ações do grupo Simpar?
Short squeeze é a recompra obrigatória de ações por investidores que apostavam na queda do ativo. Especialistas não descartam o movimento, visto o alto volume de posições vendidas nos papéis da holding.

