Estudo detalha como o Pix impulsionou empresas em municípios sem agências bancárias

Enquanto estudos sobre o impacto do Pix no empreendedorismo ganham destaque na mídia antes mesmo de sua publicação oficial em dezembro, pesquisas acadêmicas com rigor metodológico analisam o tema desde o ano passado. Os dados oficiais revelam conexões importantes sobre a expansão dos negócios no Brasil.

O levantamento foi conduzido por Rodrigo Leite, Layla Mendes e Matheus Moura, pesquisadores do Coppead e da FGV, cruzando dados da RAIS e do Banco Central em todos os municípios brasileiros entre 2017 e 2024, conforme informação divulgada por neofeed.

A investigação comparou cidades com perfis semelhantes de renda e população, avaliando o impacto da ausência ou presença de agências bancárias tradicionais no surgimento e na formalização de pequenos negócios locais.

Crescimento de empresas sem bancos

Nos municípios que contavam com zero ou uma agência bancária no início da operação do Pix, o número de empresas formais cresceu 2,6% acima dos locais com maior densidade de redes bancárias tradicionais.

O efeito positivo apareceu exclusivamente entre negócios com menos de dez empregados, não sendo registrado entre as grandes empresas, segundo a análise dos pesquisadores do Coppead e da FGV.

A alta na formalização chegou a 4,7% nas regiões onde a adoção do sistema de pagamentos instantâneos foi mais intensa, enquanto o impacto desapareceu nos locais com baixa adesão.

O papel das contas digitais

Para os especialistas, o modelo econômico tradicional que exigia uma relação bancária física cara para a aceitação de pagamentos eletrônicos já havia sido alterado pelas credenciadoras e maquininhas móveis anos antes.

No entanto, o principal obstáculo estava do lado do consumidor, visto que milhões de brasileiros ainda permaneciam sem cartão de crédito anos após o lançamento do sistema do Banco Central.

O QR Code no balcão e as contas digitais alcançaram uma parcela da população que os tradicionais terminais de cartão de crédito jamais haviam conseguido atingir nos municípios menores.

Conectividade como novo limite

Embora as diferenças de adesão ao Pix tenham diminuído entre faixas de renda, idades e raças ao longo de cinco anos, a desigualdade persiste em relação à conectividade com a internet.

Nos municípios onde o sinal de internet apresenta qualidade inferior, o avanço do Pix e das novas transações financeiras ocorre de forma mais lenta e desafiadora.

A infraestrutura que atualmente limita o comércio e a criação de novos negócios deixou de ser a rede bancária física, passando a depender diretamente da qualidade da rede de internet.

Perguntas Frequentes

Como o Pix impulsionou o empreendedorismo?

O Pix aumentou em 2,6% o número de empresas formais em municípios que não possuíam agências bancárias, facilitando os pagamentos eletrônicos para pequenos negócios com menos de dez empregados.

Quem realizou o estudo sobre Pix e empresas?

A pesquisa foi conduzida pelos especialistas Rodrigo Leite, Layla Mendes e Matheus Moura, vinculados ao Coppead e à FGV, utilizando dados oficiais da RAIS e do Banco Central.

O que limita a expansão do Pix atualmente?

Segundo análises do mercado financeiro, a principal barreira atual para o avanço completo dos meios de pagamento digital é a conectividade e a qualidade da internet nos municípios.