Pesquisa do Coppead e da FGV analisa como o Pix impulsionou empresas formais em cidades sem bancos
Um estudo inédito conduzido por pesquisadores do Coppead e da FGV revelou que o uso do Pix impulsionou o surgimento de negócios formais em municípios brasileiros que não contavam com agências bancárias tradicionais.
A análise cruzou dados da RAIS e do Banco Central entre 2017 e 2024, identificando que o efeito apareceu de forma expressiva nos anos de 2023 e 2024, conforme informação divulgada por NEGÓCIOS.
O trabalho acadêmico traz uma perspectiva causal séria sobre a inclusão financeira, contrapondo-se a outras pesquisas recentes sobre o tema que ainda aguardam publicação oficial.
Impacto do Pix em municípios sem agências bancárias
O estudo assinado por Rodrigo Leite, Layla Mendes e Matheus Moura comparou 5.569 municípios brasileiros e o Distrito Federal, dividindo-os entre os que tinham zero ou uma agência bancária e os que possuíam rede mais densa.
Nos locais desprovidos de infraestrutura bancária tradicional, o número de empresas formais com menos de dez empregados cresceu 2,6% acima dos municípios com bancos, chegando a 4,7% onde o Pix foi mais adotado.
A relação entre contas digitais e pagamentos
Especialistas apontam que a explicação para o fenômeno vai além da simples chegada de maquininhas de cartão, pois o Pix se tornou sinônimo de conta bancária acessível.
A lacuna deixada pelos cartões de crédito persistiu por anos, enquanto o QR code no balcão alcançou consumidores e comerciantes que a rede bancária tradicional jamais havia integrado.
Formalização de negócios e novos empreendedores
Os dados medem o estoque de empresas registradas na RAIS, indicando que o Pix atuou como uma infraestrutura de entrada para a formalização de negócios que já existiam na informalidade.
Apesar de o estudo ser um working paper em circulação acadêmica, ele demonstra como os meios de pagamento eletrônicos transformaram a dinâmica econômica local.
Desafios futuros na conectividade brasileira
Dados da FGV mostram que a desigualdade no uso do Pix tem diminuído entre diferentes faixas de renda, idades e grupos raciais ao longo dos últimos cinco anos.
No entanto, a disparidade persiste na conectividade com a internet, indicando que a limitação atual para o comércio não é mais a ausência de bancos, mas a qualidade do sinal.
Perguntas Frequentes
Como o Pix ajudou o empreendedorismo em cidades sem bancos?
O Pix funcionou como infraestrutura de entrada, permitindo que comércios em municípios sem agências bancárias adotassem pagamentos eletrônicos e se formalizassem.
Quem são os autores do estudo sobre Pix e empresas?
A pesquisa foi realizada por Rodrigo Leite, Layla Mendes e Matheus Moura, pesquisadores vinculados ao Coppead e à FGV.
Qual foi o impacto percentual no crescimento de empresas?
Nos municípios sem agências que adotaram o Pix, o número de empresas formais com menos de dez empregados cresceu 2,6% acima dos demais, chegando a 4,7% nas regiões com maior adoção.
O que limita a expansão do Pix atualmente no Brasil?
Segundo dados da FGV, a principal barreira restante para o avanço completo do Pix é a falta de conectividade e internet de qualidade em algumas regiões.

