A delegação brasileira na Índia oferece uma plataforma para a Embraer impulsionar o C-390 Millennium em uma concorrência por até 60 aviões de transporte da Força Aérea Indiana, negócio avaliado em R$ 54 bilhões.
A Embraer, gigante da indústria aeronáutica brasileira, está intensificando seus esforços para vender o avião de transporte militar C-390 Millennium para a Força Aérea Indiana (IAF). A oportunidade surge com a presença de uma delegação do Brasil na Índia, que participa da 18ª Cúpula do BRICS neste fim de semana. Executivos da empresa, liderados por José Serrador Neto, vice-presidente global de Relações Institucionais, têm reuniões agendadas com representantes do governo indiano.
A viagem acontece em um momento estratégico, logo após o Ministério da Defesa da Índia abrir formalmente a concorrência para o programa Medium Transport Aircraft (MTA). Esta disputa visa a aquisição de até 60 aeronaves, em um negócio avaliado em cerca de 1 trilhão de rúpias, o equivalente a aproximadamente R$ 54 bilhões na cotação atual. Trata-se de uma das maiores e mais importantes oportunidades globais para o C-390.
A Embraer não está sozinha nesta empreitada. A fabricante brasileira concorre em parceria com o grupo Mahindra, com quem mantém um acordo estratégico para oferecer o C-390 e, crucialmente, estabelecer a produção local na Índia, caso a aeronave seja selecionada, conforme informação divulgada por Airway.
A Concorrência Bilionária Indiana e a Produção Local
O programa Medium Transport Aircraft (MTA) da Índia representa uma oportunidade colossal para a Embraer. A meta é adquirir até 60 aviões de transporte, com um valor de contrato estimado em R$ 54 bilhões. Um dos pilares centrais desta concorrência é a exigência de fabricação local, alinhada à política indiana “Make in India”, que visa fomentar a indústria de defesa nacional.
A previsão é que apenas os primeiros 12 exemplares sejam fornecidos diretamente pelo fabricante estrangeiro. As 48 aeronaves restantes deverão ser produzidas em uma linha de montagem instalada em território indiano. Para atender a este requisito, a Embraer firmou uma parceria robusta com o grupo Mahindra, que já se estende desde 2024 e inclui planos para desenvolver capacidades locais de manutenção, reparo e revisão (MRO) do C-390.
Confronto Direto: C-390 Millennium versus C-130J Super Hercules
O principal adversário conhecido do C-390 Millennium na concorrência indiana é o Lockheed Martin C-130J Super Hercules. A fabricante norte-americana está associada à Tata Advanced Systems, empresa que já faz parte da cadeia industrial do modelo, produzindo conjuntos de empenagem do C-130J em Hyderabad. A Força Aérea Indiana já tem familiaridade com o C-130J, operando atualmente 12 unidades principalmente em missões de transporte tático e apoio a forças especiais.
A capacidade de carga é um diferencial importante nesta disputa. A concorrência indiana estabelece um requisito de transporte entre 18 e 30 toneladas. O C-390 pode transportar até 26 toneladas, o que o posiciona bem dentro da faixa. Já o C-130J Super Hercules tem sua capacidade máxima próxima do limite inferior exigido pela Índia, dependendo da configuração e das condições de missão. O Airbus A400M chegou a ser considerado, mas sua capacidade de 37 toneladas e custo superior o tornaram improvável na disputa.
Embora a disputa seja majoritariamente entre Embraer/Mahindra e Lockheed Martin/Tata, o pedido de propostas foi enviado a cinco grupos indianos: Tata Advanced Systems, Mahindra, Adani Defence & Aerospace, Hindustan Aeronautics Limited (HAL) e Reliance Defence. Até o momento, apenas Tata e Mahindra revelaram seus parceiros estrangeiros.
Oportunidade Gigante para o C-390 Millennium e a frota indiana
Caso a Índia confirme a compra das 60 aeronaves previstas na concorrência, o país se tornaria, de longe, o maior cliente do C-390 Millennium. Atualmente, o programa global do C-390 soma 62 pedidos ou compromissos anunciados de 12 países diferentes, sendo 19 do próprio Brasil. O maior contrato internacional vigente é o dos Emirados Árabes Unidos, com 10 encomendas firmes e opções para mais 10 aeronaves.
A aquisição do novo avião é crucial para a IAF, que busca renovar parte de sua capacidade de transporte. A frota indiana ainda conta com modelos mais antigos, como os Antonov An-32 de origem soviética, que hoje representam uma parcela significativa dos aviões de transporte médio do país. A modernização por meio do C-390 representaria um salto tecnológico e operacional para a Força Aérea Indiana.
Expansão Além do Setor Militar: E-Jets na Mira da Embraer
A presença da Embraer na Índia não se restringe apenas à campanha do C-390 Millennium. José Serrador Neto também se reuniu com Ram Mohan Naidu, ministro da Aviação Civil indiano, para discutir a expansão da presença industrial da empresa no mercado local de aviação comercial.
Em janeiro, a fabricante brasileira assinou um memorando de entendimento com a Adani Defence & Aerospace. Este acordo visa desenvolver um ecossistema de aviação regional na Índia, incluindo a possibilidade de instalar no país uma linha de montagem final do E175 e aumentar a participação de fornecedores locais na cadeia de produção dos E-Jets. A Índia é um dos maiores mercados de aviação comercial globalmente, e a Embraer enxerga um grande potencial na aviação regional indiana, onde os jatos regionais ainda possuem uma presença limitada nas frotas das grandes companhias aéreas locais.
Perguntas Frequentes
Qual o objetivo da Embraer na Índia durante a cúpula do BRICS?
A Embraer busca impulsionar a venda do avião de transporte militar C-390 Millennium para a Força Aérea Indiana (IAF), aproveitando a presença de uma delegação brasileira e reuniões com representantes do governo indiano durante a 18ª Cúpula do BRICS.
Qual o valor e a dimensão do contrato que a Embraer busca na Índia?
A concorrência indiana visa a aquisição de até 60 aeronaves de transporte, avaliadas em cerca de 1 trilhão de rúpias, o equivalente a aproximadamente R$ 54 bilhões. Se concretizado, seria a maior encomenda para o C-390 no mundo.
Quem são os principais concorrentes do C-390 Millennium nesta disputa?
O principal concorrente conhecido do C-390 Millennium é o Lockheed Martin C-130J Super Hercules. Ambos competem pelos requisitos de transporte de carga da Força Aérea Indiana, que variam entre 18 e 30 toneladas.
O que é a política “Make in India” e como ela impacta a proposta da Embraer?
A política “Make in India” exige que grande parte da produção de defesa seja local. Na proposta do C-390, 12 aviões seriam fornecidos diretamente e 48 seriam montados na Índia, em parceria com o grupo Mahindra, um requisito crucial para a vitória na concorrência.
A Embraer tem outros planos para o mercado indiano além do C-390?
Sim, a Embraer também discute a expansão de sua presença na aviação comercial indiana, incluindo a possibilidade de instalar uma linha de montagem final do jato regional E175 no país, em parceria com a Adani Defence & Aerospace.

